05 junho, 2007

DA DEPENDÊNCIA À LIBERTAÇÃO

Olhos vazios à espera de algo
que ninguém vê.
braços estendidos na ânsia de um gesto
que ninguém faz. Corpo ferido com um fogo oculto
que ninguém descobre.
Água adormecida no fundo do peito
que ninguém enxuga.

Sabores proibidos
alimentados de instantes
eclodindo na fragilidade dos dias.
Ânsias que dilaceram os sentidos
abandonados a um turbilhão de desejos
por cumprir.
Relâmpagos de prazer
nutridos de dor
a cada momento revivida e amaldiçoada.
Gosto amargo
tempo de indiferença
mergulhado em raízes de solidão.

Busca a rocha, o cais,
a mão
que lhe há-de restituir os sonhos
para os ancorar no real
de uma vida partilhada.
Já não colhe no ar
os calafrios do medo
quebrados por lampejos fugazes.
Faz da insegurança a sua força
alojada no oiro da fala
e tecida com os fios da mudança
para novos mundos recriar.

Ascenderam-lhe o sol
onde nasce todos os dias
como uma flor de trigo
prestes a amadurecer.
Com a amizade,
a persistência e a vontade,
abrem-se-lhe planícies e mares
na certeza de que a terra e o céu,
sem o seu respirar não existiria.

Na alma cresceu-lhe uma pérola,
traz esculpido um nome:

ESPERANÇA.

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