"O consumo de Cannabis leva à destruição do cérebro, a paragens cardíacas, lesões no fígado e agrava o risco de cancro no pulmão, revelam vários estudos científicos. As Nações Unidas alertam que a tolerância para com as chamadas drogas leves nos países ocidentais deve ser alterada por políticas que prevejam a penalização."
Evidentes danos na saúde mental não podem ser ignorados”, sublinha António Maria Costa, director do Departamento das Nações Unidas para as Drogas e Crime. Em Portugal, João Goulão, responsável pelo Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), reconhece os malefícios mas defende que o combate do consumo deve ser feito pela via da informação e da educação e não pela repressão. A posição do presidente do IDT surge aquando da publicação de um estudo na revista de medicina britânica ‘The Lancet’ em que a Cannabis, tal como o álcool e o tabaco, são apontados como drogas mais perigosas do que o ecstasy e o LSD. Segundo o estudo da Universidade de Victoria, no Canadá, nos países desenvolvidos – entre os quais Portugal – um terço das mortes de jovens são causadas pelo consumo de álcool e drogas ilegais. Colin Blakemore, um dos investigadores, considera: “As políticas que tivemos nos últimos 40 anos não resultaram em termos de reduzirmos o uso de droga.” Por sua vez, o seu colega de equipa Tim Stockwell defende que “a situação poderia ser alterada se drogas como a marijuana e o ecstasy fossem legalizadas”. “Penso que os resultados seriam mais eficazes se estas drogas fossem reguladas e controladas como o tabaco”, acrescenta. Um outro estudo sobre os perigos para a saúde provocados pelo consumo de erva foi divulgado na revista britânica ‘Pediatrics’, citando casos de jovens que sofreram paragens cardíacas ou derrames cerebrais. Por outro lado, um trabalho da Universidade de Bristol, publicado na revista ‘Addiction’, alerta para o aumento de casos de esquizofrenia entre os jovens na última década.
ESQUIZOFRENIA É O MAIOR PERIGO
Alucinações, ideias delirantes, movimentos desordenados, desajuste com a sociedade e pensamentos inquietantes são alguns dos sintomas da esquizofrenia. Esta é a doença mais vezes apontada como um perigo para quem fuma regularmente canábis. Lesões no fígado, coração e pulmões são também apontados. Segundo Daniele Zullimo, médica chefe dos Hospitais da Universidade de Genebra, na Suíça, um jovem de 16 anos que fuma canábis regularmente duplica o risco de vir a sofrer de esquizofrenia aos 25 anos. Michael Graf, do Instituto Suíço de Prevenção do Alcoolismo, salientou que a “intoxicação” por canábis é uma regra nas escolas suíças, com jovens a fumarem a partir das 09h00.
CONTRADIÇÕES - "JOVENS DESCONHECEM RISCOS"
Manuel Pinto Coelho Presidente da Associação Portugal Livre das DrogasManuel Pinto Coelho, presidente da Associação Portugal Livre das Drogas defende que a ideia generalizada de que as chamadas drogas leves não possuem danos para a saúde “levou a que hoje uma elevada percentagem de jovens fumem droga. Há mesmo a ideia que os perigos são menores que o consumo de tabaco, quando quatro charros representam vinte cigarros. É urgente divulgar riscos indicados pela Ciência”.
"É PRECISO EDUCÃÇÃO PARA A SAÚDE"
João Goulão Presidente do Instituto da Droga e ToxicodependênciaJoão Goulão, presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), defende que “é preciso educação para a saúde e não optar pela via da repressão”. Apesar de não conhecer o estudo publicado na revista científica ‘The Lancet’, o qual estima que o álcool e o tabaco são drogas perigosas, o responsável do IDT referiu que o álcool “é uma substância com repercussão individual e na comunidade”.
MAIS FÁCIL DE ARRANJAR
“É fácil arranjar Cannabis.” Foi a resposta dada por 48 por cento dos alunos com mais de 18 anos, segundo o relatório do IDT referente a 2003. Ideia reforçada em nova análise realizada em 2005.
CONSUMO NA ESCOLA
Nas escolas portuguesas 29 por cento dos jovens admitem que já experimentaram fumar haxixe, valor que sobe para 37 por cento no caso dos rapazes com 18 anos. A ideia de que é fácil abandonar o consumo é partilhada por 25 por cento. E a maioria acredita que os riscos para a saúde são moderados, ainda segundo o IDT.
TRATAMENTO
O Relatório sobre a Realidade da Toxicodependência em 2005 revela que cerca de 1600 dos utentes em ambulatório na rede pública de tratamento indicaram consumir canábis, ou seja, cinco por cento do total."